Porto Alegre / RS - quarta-feira, 30 de julho de 2014

Teratogênicos

 

Teratogenicidade e uso de medicamentos na Gravidez e

Amamentação

Dezenas de novas drogas são aprovadas para uso anualmente, estas se somam àquelas em uso já ha décadas. No entanto a maioria das drogas que são prescritas no dias de hoje (mais de 75%) continuam a trazer o alerta "A segurança sobre o uso durante a gravidez não tem sido ainda definitivamente estabelecido".

Para pessoas com mais de 50 anos de idade, a droga chamada talidomida traz lembranças sobre bebês nascidos com várias deformidades, especialmente dos membros superiores. Disponível na Europa como um sedativo de 1957 a 1962, este farmaco era particularmente efetivo no tratamento de vomito associado a gravidez.

E demorou para ficar evidente às autoridades que a talidomida era responsável por produzir defeitos de nascimento, até que milhões de mulheres tivessem tomado a droga e milhares de bebês tivessem nascidos com varias malformações. Durante esta fase de desenvolvimento da industria farmacêutica, testar o efeito das drogas em embriões e fetos não faziam parte da rotina industrial. Na verdade muitos profissionais de saúde acreditavam que o útero isolava o feto do ambiente externo. A tragédia da talidomida permanentemente modificou esta visão e criou um novo paradigma para compreender os efeitos das drogas no feto e avançou a crescente idéia de que as drogas deveriam ser alem de efetivas, também seguras, a compreensão atual é de que se você da a uma mulher gravida uma droga , você também estará dando a mesma droga ao feto em desenvolvimento.

Teratologia

Teratologia é o estudo dos processos biológicos e causas do desenvolvimento anormal e defeitos de nascimento. Um teratogêno é qualquer agente - incluindo fatores ambientais - que causa um anormal desenvolvimento prenatal ( O termo, terato-, vem da palavra grega que significa monstro.). Um termo mais preciso para defeitos de nascimento é "malformação congênita". Uma concepção equivocada comum sobre teratogenecidade e de que ela envolve apenas defeitos físicos. Na verdade, muitos efeitos teratogênicos são

funcionais e comportamentais e não se tornam evidentes até que a criança tenha a idade no qual essas funções ou comportamentos normalmente se desenvolvem. Uma termo mais abrangente para defeitos de nascimento que leva em conta defeitos funcionais ou comportamentais é "anomalias congênitas".

Por razões éticas óbvias, à mulher grávida não podem ser dadas drogas com o propósito de avaliar a teratogenicidade. Por causa disso outros métodos de investigação da teratogenicidade necessitam ser utilizados. Um dos mais comuns é coletar dados retrospectivamente. Um problema com a coleta de dados retrospectivos, porém , é a informação incompleta ou a vezes equivocada fornecida pela paciente ou constantes de prontuários médicos.

A incidência de importantes anormalidades estruturais em fetos nos EUA é de 2-4%. Se malformações menores , tais como dedos extras forem incluídos , isto poderia aumentar até cerca de 10%. Cerca de 25% destas anormalidades são devidas provavelmente a predisposição genética, enquanto 2-3% são induzidas por medicamentos.

A exposição a farmácos na ocasião da concepção e implantação do ovulo fecundado pode matar o feto, e a paciente pode nunca saber que ficou grávida. Se a exposição ocorre nos primeiros 12-15 dias após a concepção, quando as células estão em seu potencial total(ex. se uma célula esta danificada ou morta outra pode assumir sua função), o feto pode não ser danificado. Os primeiros 3 meses são o mais críticos em termos de malformações .

Defeitos funcionais e comportamentais tem sido associados com exposição a drogas em fases posteriores da gestação.

Os medicamentos que uma mulher toma durante a gravidez pode afetar o feto de várias maneiras:

1- Por atuar diretamente no feto, causando dano,

desenvolvimento anormal ou morte.

2- Por alterar a função da placenta, usualmente pela constricção dos vasos sangüíneos e consequente redução da troca de oxigênio e nutrientes entre o feto e a mãe.

3- Por causar contração intensa dos músculos uterinos, prejudicando indiretamente o feto pela redução do suprimento sanguíneo.

Se uma droga deve ser dada , a mais baixa dose efetiva deve ser prescrita pelo mais curto tempo de duração possível.

Teratogênos podem causar aborto espontâneo, anormalidades congênitas, retardo do crescimento intrauterino, retardo mental, carcinogenese, e mutatogenese.

Exemplo de drogas consideradas comprovadamente teratogênicas em humanos:

Inibidores da ECA (ex. Captopril); Antineoplasicos; Antitireioideanos; Barbituratos;Carbamazepina; Etanol ( em altas doses); Fenitoina; Iodetos e Iodo radioativo; Lítio;

Misoprostol; Retinoides; Talidomida; Tetraciclina; Valproato de sódio; Vitamina A(>18.000 UI/dia) e Warfarina.

Medicamentos sem nenhum efeito adverso conhecido para a Gravidez (nenhuma droga é absolutamente sem risco durante a gravidez. Estas drogas parecem ter um mínimo risco

quando usadas conscientemente sob supervisão médica.) :

Acetaminofeno; Analgésicos narcóticos; Cefalosporinas; Corticosteroides; Eritromicina; Fenotiazinas; Hormônios tireoidianos; Penicilinas e Polivitaminicos.

Drogas durante a Amamentação

A administração de algumas drogas (ex. ergotamina) para mães em amamentação pode causar toxicidade ao bebê, enquanto administração de outras (ex. digoxina) tem pouco

efeito. Algumas drogas inibem a lactação (ex. bromocriptina).

A toxicidade para o bebê pode ocorrer se a droga penetra no leite materno em quantidades farmacologicamente significantes. A concentração no leite de algumas drogas

(ex. iodetos) podem exceder aquelas no plasma materno tanto que mesmo sendo uma dose terapêutica para a mãe pode causar toxicidade para o bebê. Algumas drogas inibem o

reflexo de sugar do bebe (ex. fenobarbital). Drogas no leite materno podem, pelo menos teoricamente , causar reações de hipersensiblidade no bebê ainda quando em concentrações

muito baixas para ter um efeito farmacológico.

Drogas que podem aumentar a produção de leite e podem provocar galactorreia incluem antipsicóticos, cimetidina, metoclopramida e metildopa.

Drogas contra-indicadas durante a amamentação:anfetaminas, bromocriptina, ergotamina, lítio, nicotina, varias drogas antineoplásicas e drogas de abuso.

Para informações mais detalhadas sobre o uso de drogas na gravidez e lactação os seguintes websites podem ser consultados :

http://www.perinatology.com/exposures/druglist.htm neste site você pode pesquisar qualquer farmáco e saber sobre seu grau de segurança na gravidez, efeito na amamentação.

Este site traz também páginas sobre a exposição materna a agentes químicos, medicamentos, infecções , doenças maternas e agentes físicos.

http://www.motherisk.org é um site do Hospital for Sick Children, Toronto, Canada. Por cerca de 15 anos o programa Motherisk tem revisto dados ao redor do mundo e conduzido

trabalhos controlados prospectivos para determinar os potenciais riscos de medicamentos durante a gravidez.

http://www.modimes.org/HealthLibrary2/BirthDefects/Default.htm Programa da March of Dimes Birth Defects Foundation, entidade de voluntários norte-americana que trabalha há

mais de 60 anos afim de evitar defeitos congênitos em crianças.

Bibliografia:

-DeSimone, E. et all -Teratogenicity and Dermatologic Agents- US Pharmacist , vol. 26 n.4, 2001.

-Young, V. Teratogenicity and drugs in Breast Milk in Applied Therapeutics-The Clinical use of drugs, 7a edição , 2001 , Lippincott Willians.-Wells, B. at all ,

Pregnancy and therapeutic considerations in Pharmacotherapy Handbook , 2a edição, 2001, Appleton & Lange.